segunda-feira, 8 de março de 2010
Regresso ...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
E tu? Como queres começar viver o teu dia?
No dia em que colocámos o filme da nossa última missão online, recebi um email de um amigo que me surpreendeu e me deixou feliz.
Contava-me ele que há uns tempos tinha recebido um email de uma amiga a relatar uma experiência que tinha vivido à saída do metro. Essa experiência não era nem mais, nem menos que a missão Como Queres Começar o Teu Dia?
Ele partilhou comigo o email e eu pedi à autora (Mariana) que me deixasse publicá-lo no nosso blog.
Aqui está o email. É longo, mas vale muito a pena. Percebe-se bem o impacto que a missão teve numa pessoa que nos era totalmente desconhecida.
”
Hoje acordei mal disposta, com preocupações e um coração pesado por uma série de coisas. Olhar para o céu cinzento e tristonho também não ajudou!
À medida que me preparava para vir trabalhar, como todos os dias, tentava encontrar força para dar a volta e alegria para ter um bom dia, mas estava complicado. Dei-me conta de como às vezes é difícil lutar contra momentos de tristeza muito fortes, por muita vontade que tenhamos de estar noutra disposição. Fui apanhar o metro em Sete Rio, como todos os dias, que estava abafado e barulhento e anónimo, como sempre, e saí na Baixa-Chiado, sem sequer pensar, por hábito.
Quando me estava a aproximar daquele lanço infindável de escadas que sobe até ao Largo do Chiado, dei por algo diferente na “paisagem” do túnel que vejo todos os dias: estavam três pessoas, umas atrás das outras, um bocado separadas, antes do princípio das escadas, com folhas brancas levantadas, e algo escrito nelas, para que se lesse. Diziam:
COMO
QUERES
COMEÇAR O DIA?
Intrigou-me, e logo ali começam a passar-me explicações pela cabeça, o que será isto? Porquê? Para quê? Quem são estas pessoas? De onde vêem e o que é que isto significa? É religioso? É uma campanha publicitária qualquer? Estão a ser pagos?
Simplesmente, estavam os três muito bem dispostos e simpáticos, não se limitavam a segurar nas folhas mas sorriam, reagiam às nossas reacções…
Sobe as escadas e, no primeiro lance, mais pessoas… uma de cada lado, um rapaz a falar com umas senhoras, uma rapariga a dar-nos um papelinho pequenino a cada um, com o mesmo espírito acolhedor:
BOLETIM DE VOTO
O que é isto? Voto? Isto é político? Que misturada é esta? Intervenção? De quem? Para quem?
Mas, no meio destas perguntas que me apareciam na cabeça, quase por impulso, dei por mim a sorrir com tanta força! Parecia até que a minha cara, que já estava programada para um dia triste, descaído, sem muitas expressões faciais, estava a fazer um esforço tremendo, como quando vamos fazer exercício e há séculos que não fazemos e estamos enferrujados e nos custa ridiculamente mais!
E as escadas rolantes avançavam sempre (são uns 4 lances até chegar ao topo), e lá estava outro no meio:
AINDA TENS O TEU BOLETIM DE VOTO?
E os músculos da cara esticam mais, alongam-se, desprendem-se, numa ginástica facial tremenda – um simples sorriso, que hoje parecia custar tanto.
Outro lance, outra pessoa, outro acolhimento simplesmente tão genuíno:
FALTAM 150 METROS PARA DECIDIRES
E
FALTAM 50 METROS PARA DECIDIRES
Sentia uma antecipação, uma curiosidade enormes! Sentia um burburinho interior nas pessoas ao meu lado, à minha frente, atrás de mim, e senti uma ligação enorme, subitamente, a estes estranhos que estavam a experimentar o mesmo que eu, que por isso se tornaram tão claramente familiares, companheiros, irmãos num caminho rolante eléctrico…
Quando chegamos ao topo das escadas rolantes, uma folha na parede à nossa frente:
É AGORA!
E uma seta para baixo.
Três pessoas, em três atitude totalmente diferentes, cada uma com uma urna de voto à sua frente:
- um com ar pensativo, meio filosófico, distraído, com uma bóina e uma tshirt às riscas;
- um sentado no chão de costas viradas para nós, cabeça baixa, numa atitude totalmente fechada que me angustiou muito de tão forte que era a imagem do seu corpo apequenado, no chão, todo virado para dentro), de camisola preta;
- e um alto, de pé, bem direito, de braços largamente abertos, sorriso, e um chapéu amarelo e encarnado, com enfeites, com camisa de tons claros, emanando alegria, boa disposição, força, virado e aberto para nós.
Votámos, escolhemos.
E, nas escadas que saem do metro para o Chiado e o mundo real o dia de cada, deram-nos um quadradinho de papel, dizendo “Bom dia!”.
BOM DIA
(passa a outro e não ao mesmo)
Saí para a rua com um sorriso de orelha a orelha, e só tenho pena de não ter dado o abraço que me apeteceu dar o rapaz dos braços abertos, e agradecer profundamente.
Fez toda a diferença, mudou a minha perspectiva do dia e deu-me outro alento.
As escadas rolantes que são uma rotina de todos os dias, de todas as semanas, de todos os meses e anos destas vidas – e da minha vida nos últimos seis meses -, tornaram-se numa aventura, num processo, numa transformação.
O dia cinzento, triste, dificil que eu tinha pela frente quando acordei ganhou uma cor totalmente inesperada. Peguei no cinzento e moldei-o, fi-lo meu e, aceitando a tristeza que carrego neste momento, voltei a virar-me de frente para o mundo e pintei o meu dia de rostos desconhecidos, de chapéus amarelos e encarnados com coisas espetadas, do sorrisos e braços tão abertos, de BOM DIAs.
Desculpem-me o comprimento do email, mas senti que era de partilhar.
Melhor que um bom dia assim, só nos encontros!
Como estão?
COMO QUERES COMEÇAR / CONTINUAR / VIVER O TEU DIA?
Mariana Spratley“
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Aviso à navegação

Telhados de vidro

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Divagações na maionese ...
Traços e sentidos - 1 ano

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Balançar
para balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair..
Pedes-me um sonho,
para fazer de chão.
Mas eu desses não tenho,
só dos de voar.
Agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração...
Pedes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens.
Esqueces que às vezes,
quando falha o chão,
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos.
Pedes-me um sonho
para juntar os pedaços
mas nem tudo o que partes
e volta a colar.
E agarras a minha mão
com a tua mão e prendes-me
e dizes-me para te salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração.
